Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real: sua empresa está no regime certo?
A Reforma Tributária já começou — e a escolha errada do regime pode custar caro ao longo do ano inteiro.

A maioria dos empresários escolhe o regime tributário por hábito. Ficam no mesmo enquadramento de anos anteriores sem questionar se ainda faz sentido — e pagam mais imposto do que deveriam durante os doze meses seguintes sem perceber.
Com a Reforma Tributária em andamento e as regras mudando a partir de 2026, esse erro se tornou ainda mais arriscado. O que funcionava bem até ontem pode se transformar em um custo desnecessário amanhã.
Neste artigo, vamos explicar o que diferencia cada regime, quais os sinais de que você pode estar no enquadramento errado e por que agir agora — e não em dezembro — faz toda a diferença.
O que está mudando com a Reforma Tributária?
A partir de 2026, o Brasil iniciou a fase de testes do novo sistema tributário sobre o consumo. Dois novos tributos entram em cena: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que vão substituir gradualmente o PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI ao longo de uma transição que vai até 2033.
Isso não significa que o seu regime tributário (Simples, Lucro Presumido ou Real) muda automaticamente — ele continua válido para fins de IRPJ e CSLL. Mas o impacto chega de outro ângulo:
a forma como os créditos tributários serão gerados e aproveitados na cadeia produtiva.
E aí está o ponto que poucos empresários estão considerando.
Os três regimes — e o que muda para cada um
Simples Nacional
Indicado para microempresas e empresas de pequeno porte com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Vantagens: simplicidade operacional, uma única guia (DAS) e alíquotas progressivas por faturamento.
Atenção pós-Reforma: empresas do Simples que vendem para outras empresas podem gerar
menos crédito de IBS/CBS para seus clientes do que empresas do regime geral. Isso pode tornar a compra de um fornecedor do Simples menos atrativa para grandes compradores — o que afeta diretamente a competitividade de quem está nesse regime e vende B2B.
Lucro Presumido
Voltado para empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões que não são obrigadas ao Lucro Real.
Nesse regime, o imposto é calculado sobre uma margem de lucro pré-fixada pela legislação: 8% para o comércio e 32% para serviços, independentemente do lucro real apurado.
É vantajoso quando a empresa tem margem de lucro
acima das margens presumidas. Mas se a margem real for inferior — especialmente em momentos de crise ou expansão —, o empresário paga imposto sobre um lucro que não existiu.
Atenção pós-Reforma: o PIS/Cofins cumulativo, hoje com alíquota de 3,65%, será gradualmente substituído pela CBS, com alíquota estimada em 9,24%. Isso representa um impacto expressivo na carga tributária de empresas no Presumido, especialmente no setor de serviços.
Lucro Real
Obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões, instituições financeiras e alguns outros casos específicos. Mas também pode ser uma escolha estratégica para empresas menores com margens apertadas.
Aqui, o imposto incide sobre o
lucro efetivamente apurado. Se a empresa teve prejuízo em um mês, pode suspender o recolhimento do IRPJ naquele período.
Atenção pós-Reforma: a introdução do
split payment — mecanismo pelo qual o sistema bancário separa automaticamente o valor do imposto no momento do pagamento — vai impactar o fluxo de caixa de empresas no Lucro Real. O chamado "float financeiro" (o prazo entre a venda e o vencimento do imposto) deixará de existir. Empresas que dependem desse capital de giro precisam se planejar com antecedência.
4 sinais de que você pode estar no regime errado
1. Sua margem de lucro real é menor do que a margem presumida. Se você está no Lucro Presumido e seus custos consomem boa parte da receita, pode estar pagando imposto sobre um lucro que não existe de fato.
2. Seu faturamento está se aproximando dos limites do Simples Nacional. Na faixa entre R$ 3,6 e R$ 4,8 milhões anuais, as alíquotas do Simples já se aproximam das do Lucro Presumido. Vale comparar antes de renovar automaticamente.
3. Seus clientes são grandes empresas que precisam de crédito tributário. Com a Reforma, fornecedores do Simples Nacional podem gerar menos crédito de IBS/CBS para clientes corporativos — o que pode tornar sua empresa menos competitiva em licitações e contratos B2B.
4. Você teve prejuízo ou margens muito apertadas nos últimos 12 meses. O Lucro Real permite suspender o pagamento do IRPJ em meses de prejuízo. Para empresas em fase de expansão ou com sazonalidade forte, isso pode representar uma economia relevante.
A decisão certa exige os dados certos
Não existe regime tributário universalmente melhor. A escolha depende do faturamento, da margem de lucro, do setor de atuação, da estrutura de custos, das projeções de crescimento e — agora mais do que nunca — do posicionamento da empresa dentro das cadeias de fornecimento afetadas pela Reforma Tributária.
O que existe é uma análise bem feita, com simulações reais, que compara cenários antes de uma decisão que vai impactar o resultado financeiro da empresa pelos próximos 12 meses.
O planejamento tributário não é uma tarefa de final de ano. É uma decisão estratégica — e o melhor momento para tomá-la é agora, enquanto ainda há tempo para simular, comparar e escolher com segurança.
Se você ainda não revisou o enquadramento tributário da sua empresa, entre em contato conosco agora. Os números do seu negócio merecem essa atenção.
Conteúdo elaborado para fins informativos. As informações fiscais aqui descritas são de caráter geral e podem variar conforme o perfil específico de cada empresa. Consulte-nos para orientações personalizadas.





